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É possível ganhar dinheiro fazendo o bem?

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Mary Anne Amorim, fundadora e presidente da Pupa

Foi com a pergunta acima na cabeça que Mary Anne Amorim, que trabalhou mais de 10 anos como executiva da área de transporte internacional, decidiu investir no negócio social.

Tudo começou quando ela ainda trabalhava no setor privado e recebeu a missão de fazer um trabalho filantrópico. “Escolhi fazer um trabalho com a primeira infância, em uma creche para os filhos das prostitutas que ficavam no porto. Foi uma das coisas que eu mais gostei de fazer na vida”, conta.

Com a experiência na bagagem, resolveu deixar o emprego e tirar um tempo para refletir e estudar nos Estados Unidos. Foi nesta época que Mary fez um teste que ajudaria a definir seu futuro. “Saí do Brasil com a vontade de fazer algo que pudesse provocar impacto na sociedade, mas fiz uma avaliação de carreira e o resultado mostrou que eu não podia ir pra terceiro setor. Pelo contrário, veio especificamente a palavra ‘startup’. Só que, na época, não tinha ideia de como fazer para empreender com impacto social em uma empresa privada”, lembra.

Sem ter muito claro que rumo tomar, voltou para Brasil e foi trabalhar em uma empresa de tecnologia educacional. Foi aí que começou a brotar a semente da Pupa, startup focada no desenvolvimento de crianças de baixa renda durante a primeira infância.

A ideia partiu da constatação de um problema. “Em um momento de pleno emprego como o que vivemos no Brasil, as mães saem para trabalhar e não têm onde deixar os filhos. As babás não têm as ferramentas para trabalhar o desenvolvimento nos primeiros anos de vida da criança, que são os mais importantes para o desenvolvimento intelectual e emocional”, diz.

A solução foi criar uma metodologia educacional que pudesse ser replicada com facilidade e repassada a pais, educadores e cuidadoras. “Nosso metodologia é baseada no aprender brincando”, diz.

No modelo criado pela Pupa, quem tem mais financia quem tem menos. Essa é a fórmula que garante a viabilidade da ideia como negócio em vez de projeto filantrópico. Os cursos são vendidos a pais de alta renda pelo valor cheio (800 reais). Uma parcela do valor (200 reais) é reservada para subsidiar a aplicação dos mesmos treinamentos em comunidades de baixa renda, onde os participantes pagam apenas 50 reais pelas mesmas 16 horas de formação. Assim, o conhecimento vai se disseminando da mesma forma entre quem pode e quem não pode pagar por ele.

E no meio de toda essa história, a Pupa recebeu um empurrão fundamental: um financiamento no valor de 3 milhões de dólares do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Entre os 31 projetos latino-americanos apoiados pelo conselho do banco em 2011, a Pupa foi a única startup brasileira selecionada.

Para conseguir a verba, Mary teve que criar um plano de negócios e mostrar que o projeto tinha viabilidade financeira e potencial de escalar.

O primeiro 1 milhão de dólares recebido do BID foi investido na estruturação da empresa e na criação da metodologia, processo que envolveu a consultoria de especialistas em várias áreas, incluindo neurociência, educação pela música e contação de histórias, entre outras.

Mais de 300 pessoas – entre cuidadores e educadores – já foram capacitados na metodologia e outras 500 devem participar dos cursos até o final do ano.

Além do modelo de financiamento cruzado, que garante a viabilidade do negócio, a Pupa está buscando parcerias com a área de responsabilidade social de companhias que queiram financiar a formação de cuidadoras nas regiões em que atuam.

A startup também conta com o apoio da Fundação Lego, que doa brinquedos que acompanham os kits de materiais distribuídos nos cursos.

Fonte: Startup Blog

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